03.07
2012

Mind the Gap! Como andar de Metro em Londres

Resisti! Resisti muitas e muitas vezes em usar o metro de Londres. Só de olhar aquele mapa com várias linhas e zilhões de estações eu já entrava em pânico. Achei que nunca ia entender como usar aquilo e até mesmo que nunca conseguiria chegar em lugar algum. Mas foi ai que, um belo dia, uma colega (francesa) do curso de inglês, teve a bondade de me explicar como funcionava, afinal, ela morava no norte da França, então ela tava sempre indo pra Londres passear. Depois que ela me explicou, eu falei: ‘Só isso?’

Pois então, era ‘só isso’ mesmo! É muito fácil andar no metro de Londres, muito fácil mesmo! É tão fácil, que depois resolvi fazer o mesmo em Paris (os nomes das estações quase nunca tem relação com alguma atração turistica próxima) e em Atenas (toda vez que tinha que trocar de linha, tinha que subir no hall principal, pq nao tinha placas indicando o caminho pra outra linha), cheguei a conclusão: se for pra copiar ou se inspirar, o negócio é ir pro Reino Unido! Os caras fazem de tudo pra simplificar a vida do turista/morador.

Bom, o metro de Londres é o sistema de transporte público mais antigo do mundo! Ele entrou em funcionamento na metade do século retrasado e ainda hoje serve de modelo para muitas outras grandes cidades do mundo.

Então, duas coisas são importantes saber:

– o metro é dividio em 6 zonas, sendo a zona 1 a mais central e a zona 6 é a mais afastada, fica no suburbio da cidade (e é onde está localizado o aeroporto de Heathrow, por exemplo. Esse é o unico aeroporto em Londres que a linha do metro alcança). Normalmente a grande parte das atrações turisticas ficam nas zonas 1 e 2;

– o metro de Londres tem 11 linhas no total, cada uma tem um nome e uma cor diferente. O nome pouco importa, mas a cor é importante gravar ou anotar.

Entrando em uma estação de metro qualquer, sempre vai haver um guiche e as máquinas para comprar os tickets.

retirado do site tlf.gov.uk

(Overground e DLR não fazem parte das linhas do metro)

A primeira vez que usei o metro, eu tinha chegado em Londres via Aeroporto de Gatwick, e o trem que liga o aeroporto ao centro da cidade tem como parada final a Victoria Station. A Victoria Station fica bem próximo ao Palácio de Buckingham, eu fui caminhando até ali. Jantei em um lugar qualquer nessa regiao e fui até a Estaçao de Leicester Square. Imagine, numa sexta-feira a noite como não tava aquele lugar, entulhado! Sendo assim, fui no guiche e comprei um bilhete simples para ir até o hotel, até pq eu achei que não ia mais precisar usar o metro durante todo aquele final de semana da minha viagem.

Em Outro dia, achei que seria bom comprar um Travel Card (existe na configuração 1 dia, 7 dias, mensal e anual) pra usar no sábado, já que iria usar o metro somente mais aquele dia. O Travel Card, nessa vez, me permitiu deslocamento várias vezes dentro das zonas 1 e 2 durante 24 horas. Achei perfeito nesse caso!

Nas próximas vezes que eu fui a Londres, todas as vezes eu ia ficar praticamente todo o final de semana na cidade, e foi ai que acabei me rendendo ao Oyster Card – Pay as you go. Uma maravilha! Não entendo até hoje, pq eu resisti tanto em ter um! hehehe

Como deu pra perceber, existem vários tipos de bilhetes: o bilhete unico, o travelcard e o oyster. Cada um deles tem suas vantagens e desvantagens, acho que deu pra perceber mais ou menos também como funciona o esquema.

foto 1_Fotor

O dia que eu resolvi comprar meu Oyster Card, eu tava na Leicester Square, e por incrivel que pareça aquele dia a estação tava até tranquila. Enfrentei uma filinha e comprei ele numa das máquinas. Foi bem simples! Importante ficar atento em qual máquina vamos ficar na fila, nem todas vendem o oyster. No topo de cada máquina tem especificado o que ela ‘vende’ e que tipo de pagamento a máquina aceita – cartão de crédito, dinheiro, moedas ou os três.

Para adquiri-lo, eu precisei desembolsar 5,00 libras (valor de 2011), que são reembolsáveis. Como ele é uma espécie de ‘cartão de credito’, é preciso carregá-lo. Eu optei por carregar com 20,00 libras (mas dá pra carregar com mais ou menos quantidade). E olha que usei muitas e muitas vezes e ainda tenho crédito. O bom do Oyster, ao contrário do que acontece com o cartão do metro de Lisboa, ele não tem validade. Uma vez comprado e com crédito, da pra usar sempre que precisar. Cada vez que eu fui pra Londres eu usava ele e nunca mais precisei me preocupar. Ah, as vezes é bom checar numa das maquininhas como anda o saldo ou cuidar na hora de passar na catraca do destino final, como anda o saldo do oyster.

Em resumo, o Oyster vai cobrar por cada viagem a tarifa mais baixa que houver (para efeito de comparação, o bilhete unico custa 4,30 libras e a tarifa do oyster fica em 2,00 libras). E independente se eu usasse o metro 1 vez ou 10 vezes no mesmo dia, o valor máximo cobrado nesse dia seria de 8,40 libras. Otimo, né?!?! Eu nunca cheguei a usar o metro mais de 3 viagens por dia, então é dificil chegar até essa tarifa-teto.

Com o ticket ou o Oyster em mãos, o roteirinho basicamente vai ser mais ou menos esse:

– primeiro temos que saber em qual estação estamos e em qual linha essa estação pertence;

– sabendo isso e mais o destino pra onde vamos, a coisa fica bem fácil.

O aglomero perto das catracas é visivel, é sempre bom já ter o ticket em mãos pra não ter nenhum problema.

Algumas estações de metro servem duas ou mais linhas, como por exemplo a Leicester Square que serve a linha preta (Northern) e a linha azul escuro (Piccadilly).

Antes de chegar nas escadas rolantes, existem placas que indicam qual a escada rolante pegar dependendo da linha escolhida, a preta ou azul escuro. As escadas rolantes são suuuper inclinadas e parecem intermináveis. Um detalhe importante, quando pegamos a escada, já tem até um aviso ali dizendo pra ficar parado no lado direito, e deixar o lado esquerdo livre pra quem estiver com pressa. É bom não bobear, pq o pessoal passa por cima mesmo!

Depois de descer a escada rolante, vai ser necessário escolher qual o sentido na linha a seguir, e ai é só se encaminhar para a plataforma indicada.

Na plataforma, dentro do metro, enfim, em quase todas as partes dentro da estação, existe um mapa, se precisar checar ou descobrir alguma coisa. Então é bem tranquilo! Uma vez dentro do metro, dá pra acompanhar o trajeto com os mapinhas que estão grudados nas paredes internas de cada vagão.

Chegando na estação final, é sempre bom já ter o ticket em mãos, pq vai ser necessário inserir o ticket na catraca para liberar a nossa saída da estação. E é também nessa hora que o valor do bilhete é descontado, no caso do oyster card.

E é ‘só isso’, mesmo! Mais fácil, impossível!

E ainda em tempo, algumas curiosidades sobre o metro:

– foi inaugurado em 1863;

– a estação mais movimentada é a de Waterloo;

– são 11 linhas, 270 estações e 408 km de trilhos;

– a linha com maior número de estações é a District Line (verde escura), com 60 estações. Logo na sequencia vem a Piccadilly Line (azul escuro) com 53 estações.

Observações:

– é sempre bom levar em consideração o horário da viagem, que podem ser os horários de pico (peak) ou os horários fora de pico (off-peak). Eles interferem tanto no preço, quanto na quantidade de pessoas aglomeradas dentro das estações. O horário de pico é entre as 16:30 as 09:30 da manhã.

– para simular os destinos, saber o tempo entre uma estação e outra e o melhor trajeto a fazer, existe no site do Transport for London, o Journey Planner. É sempre muito útil!

Para maiores informações é só consultar o site da TFL – Transport for London que é a empresa responsável pelo sistema de transporte regional de Londres, incluindo o metro.

Bruna Bartolamei
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Bruna Bartolamei

Catarinense, mas já morou em Curitiba (8 anos) e em Edimburgo, a capital da Escócia (quase 2 anos). Criou o blog pra contar um pouco mais sobre como foi o seu intercâmbio na terra dos Kilts e das Gaitas de Fole, e também, sobre suas viagens pelo mundo.
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Postado em Inglaterra, Londres, Transporte público
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  1. Mateus 03/07/2012 | 19:29

    Parabéns Bruna.
    Estudei em alguns blogs e no site do TFL, para aprender a andar no metro de Londres. Mas a sua explicação está perfeita, mais mastigado do que isso, impossível.

    Um Abraço

    • Bruna 04/07/2012 | 12:28

      Oi Mateus!!
      Obrigada!! =)))
      A primeira olhada, aquele mapinha é assustador, mas com alguém explicando o funcionamento, fica muito muito mais fácil!! E olha que não foi nada fácil ser objetiva nesse post! hehehehe
      =)

      • Mateus 04/07/2012 | 12:42

        O mapa assusta mesmo, já começamos nos perdendo nele. Mas com o seu manual fica até fácil.
        Ficou muito bom mesmo.
        Parabéns

  2. Raul Bartolamei 04/07/2012 | 15:08

    parecido com o de paris não? parece ser o mesmo esquema…

    • Bruna 04/07/2012 | 15:33

      Sim, o mesmo esquema. Unica diferença é que o nome das estações são relacionadas com as atrações proximas! O que facilita, principalmente pra quem vai usa-lo pela primeira vez. =)

  3. Jaque de Oliveira 09/07/2012 | 11:00

    Bruna,
    Esse seu post veio na hora exata… Sabe que eu não tinha pensando em como iria me locomover por lá? Sempre pensei em usar o ônibus vermelho… Acho que o metro pode ser uma boa idéia…. Eu tenho uma dúvida, ai Bruna, desculpa eu te encher de perguntas…. Desses tickets que vc citou, vejo que o oyster é mais vantajoso… Pelo que vc descreveu aqui… Pra quem vai passar um bom tempo por lá…. Eu vou ficar 6 meses… Vc recomenda o oyster? Ele só pode ser usado no metro? Também não entendi quando vc fala que ”é sempre bom levar em consideração o horário da viagem, que podem ser os horários de pico (peak) ou os horários fora de pico (off-peak). Eles interferem tanto no preço, quanto na quantidade de pessoas aglomeradas dentro das estações”. Como eles interferem no preço da passagem? É seguro andar de metro?
    Prometo não perguntar mais rsrs Obrigada

    • Bruna 10/07/2012 | 20:34

      Jaque!

      Tanto o metro como o ônibus são ótimas ideias, mas o metro é mais fácil de entender, na minha opinião.
      O oyster pode ser usado tanto no metro, no ônibus, no overground, no novo bondinho pra atravessar o tamisa, no barco, em qualquer lugar. Vc só precisa ter crédito, lógico heheeh

      Essa parte do off-peak e peak é o seguinte, se vc usar o oyster varias vezes por dia, vai chegar uma hora que o valor poderia ser cobrado além da tarifa teto, sendo assim, o fato de vc estar usando o metro no horario de pico ou fora dele vai determinar a tarifa teto naquele determinado horário. Quanto a zona que vc estiver usando, seja ela a zona 1 ou 2 (as mais turisticas) ou a 6 pra ir ao aeroporto de Heathrow, o valor vai ser diferente, pq a zona muda e consequentemente a distaância tbm muda.

      Não sei se deu pra entender, qqer coisa gritaaa, q eu tento explicar de outra forma! =)

      Ah, é seguro andar de metro. Pelo menos eu ja andei tanto de manhã, a tarde, a noite e nunca tive problema algum.

      • Jaque de Oliveira 13/07/2012 | 13:24

        Brunaaa… Acho que entendi mais ou menos…. decidi que vou comprar esse oyster assim que chegar em Londres… Minha amiga tbm disse que uma prima dela usou ele nos 2 meses que morou em Londres… Eu acho que deve ser a melhor opção então…

        • Bruna 16/07/2012 | 02:13

          Eu tbm acho que é a melhor opção, vc pode carregar seu oyster conforme a tua necessidade. No primeiro mês em que vc estiver lá, vc já vai ter uma idéia de quanto vai usar por mês.. =)

  4. Josicleide 07/10/2012 | 12:08

    Bruna. Estava dando uma olhada nas explicações sobre o oyster e gostei muito. Passei seis meses em Londres no período de jan à jun/2011 e confesso que tive até medo ao ver o mapa do metrô mas é realmente muito fácil de aprender. Optei em carregar o Oyster semanalmente já que o meu era de estudante e com isso pude ter uma economia maravilhosa, pois com apenas 17,50 libras eu podia pegar ônibus e metrô durante sete dias e quantas vezes fosse necessário durante o dia. Esta também é uma boa dica para quem vai estudar na capital inglesa.

    • Bruna 08/10/2012 | 17:49

      Oi Josicleide,
      Legal, não sabia desse esquema pra estudantes. Obrigada por compartilhar! =)

  5. Jonas 10/08/2013 | 05:52

    Bruna, o Oyster pode ser usado ao mesmo tempo por mais de uma pessoa, ou seja, estarei com tres pessoas da familia, poderei comprar só um cartao?

    • Bruna Bartolamei 10/08/2013 | 16:50

      Oi, Jonas

      Não, pois como vc tem que passar o oyster pra liberar a catraca no inicio da jornada e no final de cada viagem vc tem que passar novamente pra “fechar” a viagem, ou seja, só assim o valor da viagem vai ser debitado do teu oyster. Então, não tem como.

  6. Breno Barroso 05/01/2014 | 23:12

    Devo ficar entre 5 e 7 dias em Londres. Qual cartão é mais indicado, oyster ou o travel card? Por que? Abraços!

    • Contando as Horas 07/01/2014 | 04:34

      Oi, Breno

      Na minha opinião vale mais a pena comprar o Oyster. Depois que eu comprei, acho muito pratico utilizá-lo. Pra regarregar tbm é bem simples, enfim, eu sempre recomendo o oyster.
      Mas vc pode ver o comparativo desses dois tipos diretamente no site do metro de Londres e assim, de acordo com as tuas necessidades, vc define a melhor opção
      http://visitorshop.tfl.gov.uk/help-centre/ticket-comparison.html

  7. Onilmar Moraes 25/08/2014 | 13:44

    como fico sabendo a que zona determinada estação/linha pertence? Fiquei sabendo que o travelcard para 7 dias p/ linhas 1 e 2 não cobre outras linhas e teria que carrega-lo para outras linhas se quisermos ir para um lugar da zona 3 por exemplo. Eu não sei quais as estações que pertencem a linhas 1, 2, 3.Agradeço-lhe a dica.

    • Contando as Horas 25/08/2014 | 21:47

      Oi, Onilmar

      Se vc baixar o mapa do metro em arquivo pdf no site do metro de Londres, ele indica quais estações ficam em qual zona ou também, vc pode ver nos próprios mapas que estão espalhados nas estações de metro.

  8. derli stopato da fonseca 17/09/2014 | 09:25

    Alô
    Melhor explicação não pode haver. Muito obrigado.

  9. Cleide Guerino 09/04/2016 | 20:01

    Oi Bruna, nem sei se vc ainda visita este post, mas achei ótimo. Bem didático. Acho importante elogiar um trabalho tão bem feito. Parabéns.

    • Contando as Horas 10/04/2016 | 01:31

      Oi, Cleide

      Sempre leio e respondo todos os comentários aqui no blog! Muito obrigada pelo elogio. Fico feliz em saber que o post te ajudou.

      Obrigada pela visita aqui no blog!

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