23.08
2012

Intercâmbio: Inglês Britânico e o Sotaque Escocês

De vez enquando aparece alguém aqui no blog pedindo como é o sotaque escocês, se é muito dificil de entender, se vai dar pra se virar lá sem passar aperto ou coisas do tipo.

Sendo assim, achei que seria interessante escrever um pouco sobre isso e dar a minha opinião. Claro que eu não tenho 100% da razão e muitas pessoas podem discordar do que eu penso a respeito, mas esse post é mais pra dar uma idéia do que pode ser encontrado por lá.

Foto retirada do site verdadeabsoluta.net

Duas coisas que eu devo destacar sobre o sotaque escoces são:

– o ritmo da pronuncia das palavras vai ter praticamente a mesma caracteristica em todos os cantos do país. Mas seria mais ou menos o ritmo que um gaúcho ou um catarinense ou um paranaense tem ao falar, cada um tem o seu ritmo, mas não muda muito. Não sei se deu pra captar a mensagem?!?! Na Escócia esse ritmo não varia muuuito, pelo menos eu não percebi diferença muito significativa. 

– a forma de pronunciar o “R” de forma geral, que é beeeem mais carregado quando comparado ao sotaque inglês, onde o “R” praticamente não é falado em alguns casos.

Como é um assunto meio dificil de colocar no papel, eu vou escrever algumas situações que eu passei e que talvez dê uma pequena idéia do que é o sotaque escoces.

Em primeiro lugar, se o destino for Edimburgo, não é necessário se preocupar tanto. O sotaque na capital eu diria que é mais “civilizado”, ou seja, eles não tem o sotaque tão carregado. Depois de alguns tempo a gente se acostuma e pega o jeito.

Esse video é da campanha de divulgação do país do ano passado. Aqui o narrador fala bem devagar, então dá pra entender tudo tranquilamente!

Agora se for levar em consideração o sotaque do interior da Escócia.. Nossa, dependendo da região, é praticamente impossível entender alguma coisa. Eu lembro uma vez que peguei um trem e do meu lado sentou um tiozinho que juro, eu já tava ficando com vergonha, pq a metade as coisas que ele falava eu não entendia e pra outra metade rolava um “Could you repeat, please?” Ah, pode até parecer exagero, mas nesse dia eu tava desesperada e não via a hora do trem chegar em Glasgow de uma vez, pra me livrar dessa cilada.

Lembro também de uma situação que aconteceu no primeiro ou segundo mes que eu tava lá em Edimburgo. Um belo dia eu fui na Jenners,  e lá a maioria dos funcionários são escoceses legitimos. Eu queria comprar uma bota e falei pra mulher que eu queria sem salto e de cor marrom ou preto. Eu sei que eu to me perguntando até agora o que foi que ela quis me justificar, pq eu só entendi que não tinha esse tipo de bota sem salto e nessas cores, mas o resto eu não entendi uma misera palavra. Eu tenho quase certeza que ela era do norte da Escócia, pq eu nunca tinha ouvido aquele sotaque até então. Isso sem falar que ela falava muuuuito rápido, talvez tenha sido um fator que tenha colaborado pra eu não quase entender nada.

Uma coisa que é interessante fazer também logo ao chegar na Escócia é o seguinte: evitar atendentes adolescentes ou mais jovens, independente de serem homens ou mulheres. Nossa, eles falam muitas girias e falam muito rápido, comem metade da pronuncia das palavras. Enfim, é um pesadelo!

No curso de inglês, eu tive contato com professores de várias partes da Escócia, como por exemplo, tive um professor que era de Edimburgo mesmo (que mora na Espanha, e juro, ele nem parece escocês e muito menos parecia ser nativo de lingua inglesa, era muito tranquilo entender o que ele falava), tive um professor de Dundee (tinha o sotaque super escocê), tive uma professora do norte da Escócia (que o sotaque não era tããão dificil de entender, mas as vezes, dependendo da rapidez ao falar complicava um pouco), tive professores do norte e do sul da Inglaterra que me permitiu fazer algumas comparações entre os sotaques. Hoje em dia eu não sei dizer se a pessoa é do norte ou do sul da Inglaterra ou Escócia, mas sei quando alguém é inglês ou escocês, exceto raros casos.

Esse video é o comercial do filme Brave que passava só no Reino Unido. Aqui ele fala um pouquinho mais rápido, mas mesmo assim tá bem fácil de entender! (Repare na pronuncia dos “R”s).

Mas não da pra deixar de mencionar uma coisa, o sotaque escocês parece muito mais dificil do que ele realmente é, simlesmente pq nos estamos muito mais acostumados ao sotaque americano do que ao sotaque britânico no geral. E isso é verdade!

Outra coisa que eu também achava estranho era quando eu usava uma palavra do inglês americano e a professora me corrigia com a versão britânica daquela palavra. Quer um exemplo? Eu sempre falava pants ao me referir a calça, mas no inglês britanico eles usam trousers, ou quando queria me referir a balas ou doces em geral, em inglês americano eles usam candy e em inglês britanico é usado sweets ou ainda o caso de outono/elevador que em inglês americano eles usam fall/elevator e em inglês britânico é usado o autumn/lift. Tive bastante vocabulário “novo” pra apreender!

E também não dá pra esquecer das correções nos textos, que ao invés de escrever centre eu escrevia center ou colour ao invés de color. Em textos ou na parte escrita das provas isso é considerado erro. É sempre bom ficar ligado!

http://www.youtube.com/watch?v=P7aXtvYS8vw

Apresentando.. o maravilhoso ritmo/pronuncia e sotaque escocês. Pra quem quer praticar o listening, é só jogar no google ou no you tube o nome Neil Oliver, ele sempre narra os documentários da BBC Scotland.

Sem esquecer das palavras do gaélico escocês que são muito usadas, por exemplo: “aye” que significa “sim”, mas a pronuncia é como “eu” em inglês. Então as vezes, o que acontecia era que eu tava falando com alguém, e a pessoa ficava repetindo “I” o tempo todo e eu parava de falar, achando que eles queriam começar uma frase e na verdade, eles tavam apenas concordando com o que eu tava falando! Outras palavras usadas com bastante frequencia são: broly que significa guarda-chuva, loo que significa toilet, wee que significa pequeno (ao invés de usar o little), ladd que seria mais ou menos adolescente, blether ao invés de “catch up” que seria mais ou menos conversar, colocar a conversa em dia e por ai vai… Então por exemplo, eu já vi em algumas lojinhas mais nos bairros plaquinha escrito: “umbrella/broly” ou em alguns pubs “Loo” ao invés de Toilet. Claro que ninguém precisa se preocupar em aprender gaelico escocês, mas algumas palavras são bem frequentes de se ouvir.

Quanto ao sotaque/pronuncia das palavras ensinado em sala de aula, vai ser o escocês com certeza. Mas posso dizer uma coisa? Quanto ao sotaque/pronuncia nem precisamos nos preocupar, pq é muuuuito dificil a gente falar como os escoceses, não tem jeito, nos já estamos muito “americanizados” nesse quesito.

Depois que estamos lá ha algum tempo, a gente começa a usar com mais frequencia algumas girias e phasal verbs. Mas isso vem com o tempo, pq senão o inglês falado no dia a dia fica muito formal e todo mundo fica olhando meio estranho.

Esse é um assunto bem complicado de tentar explicar em palavras, mas acho que dá pra ter uma boa noção de como as coisas funcionam por lá nesse departamento.

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Catarinense, mas já morou em Curitiba (8 anos) e em Edimburgo, a capital da Escócia (quase 2 anos). Criou o blog pra contar um pouco mais sobre como foi o seu intercâmbio na terra dos Kilts e das Gaitas de Fole, e também, sobre suas viagens pelo mundo.
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  1. Celina Martins 24/08/2012 | 16:50

    Eu lembro bem desse sotaque! Em Inverness, a dona do B&B querendo me dar remédio, era um chiado só! O marido então eu simplesmente acenava e sorria (como os pinguins). O guia da excursão já falava mais lento e nos ensinou um monte de expressões que obviamente eu já esqueci! adorei o post!

    • Bruna 27/08/2012 | 00:34

      Oi Cel,
      não é nada fácil, mas depois de um tempo a gente pega no tranco!
      =)

  2. Paola Bellucci Ortolan 08/10/2014 | 18:44

    Nossa, era isso mesmo que eu precisava ler!!! Já devo ter lido uns 20 posts seus só hoje e venho acompanhando o blog desde Julho. Como meus destinos escolhidos foram Londres (onde estou agora) e Edimburgo (para onde vou fds que vem) esse blog está sendo ideal!!!! Eu me arrependo de não ter lido sobre a bagagem e sobre a imigração antes de embarcar! Pois agora estou aqui com 10 sobretudos, 5 casacos, 2 salto altos e algumas roupas de verão que com certeza não vou usar rsrs (trouxe até biquini hahahaa #mejulguem) e quaaaase fiquei na imigração! Foi erro da agência de intercâmbio tbm que não me auxiliou direito, mas eu não levei as cartas da acomodação e escola pois não ficaram prontas a tempo. Só tinha a carta da Brunel University que fiz um curso de Design por 1 semana. Parabéns pelo blogg!!!! Você escreve muito bem e é super detalhista, o que ajuda muitoo os marinheiros de primeira viagem hahaha. Continuee postando aquii sempre :)) Beijos

    • Contando as Horas 09/10/2014 | 15:46

      Oi, Paola

      Guriiiiaaa, que emocionante essa tua viagem, hein!!

      Essa questão da bagagem é bem polemica, quando eu digo pras pessoas levaram poucas coisas, todo mundo acha q eu sou louca e não gostam da dica, mas quando voltam de viagem me dão razão. Então né, nada melhor do que a própria experiência pra dizer alguma coisa no final.

      Falha da tua agencia de intercâmbio, em momento algum é aconselhado a viajar para outro pais sem levar documentos que comprovem o que vc esta indo estudar lá. Já pensou perder tudo o que vc pagou e voltar para o Brasil? Prejuizo total, sem contar que um carimbo de entrada negado não ia ser nada bom no teu histórico. Mas que bom que ao menos a carta do teu curso de Design te salvou. Nossa, nao gosto nem de imaginar o sufoco que vc passou na imigração.

      De qualquer forma, aproveite ai! Se precisar de alguma dica, me escreve! =D

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