24.07
2014

Polônia: Roteiro de 1 dia em Cracóvia

Quem não tiver coragem de visitar o Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau ou não se interessar em visitar a Mina de Sal de Wieliczka (eu só não fui, pq era inverno), uma boa opção é fazer um bate-volta de trem a Cracóvia partindo de Varsóvia. A distância entre as duas cidades é de apenas 290 km, sendo que o deslocamento de trem entre elas leva algo em torno de 2 horas e 30 minutos. E foi exatamente isso que eu fiz!

Claro que durante o mês de janeiro, o tempo costuma não colaborar muito (muita chuva, frio e neve), eu optei por comprar a passagem de trem quando eu já estava lá em Varsóvia, levando em consideração a previsão do tempo, claro. A maioria das atrações de Cracóvia ficam ao ar livre, então o ideal seria ir até lá num dia que não estivesse chovendo. E veja só, o único dia de sol que peguei na Polônia foi justamente nesse dia.

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Cracóvia está localizada no sul do país (mais próximo a fronteira com a Eslováquia) e também fica as margens do rio Vístula (o mesmo que passa por Varsóvia). Chegou a ser capital do país por quase 300 anos, antes de ser transferida em definitivo para Varsóvia. Sua história também teve momentos de tensão, como quando ela foi devastada diversas vezes pelos mongóis, tempos depois sofreu com a ocupação austríaca por duas vezes, mas nada disso abalou a cidade, que hoje em dia parece uma daquelas cidadezinhas que pararam no tempo.

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Quando eu faço um day trip, eu sempre procuro começar o meu roteiro pelo lugar mais longe da estação de trem, pq se houver um imprevisto ou até mesmo o tempo ficar apertado, pra voltar a estação de trem é um pulinho.

Seguindo esse pensamento, a primeira atração que visitei foi o Castelo Real de Cracóvia, mais conhecido por Castelo Wawel. Ele fica do lado oposto de onde está a estação de trem, depois de atravessar todo o centro histórico da cidade, as margens do rio Vístula. Mas pra quem quiser tirar boas fotos dele, ainda é necessário caminhar mais um pouco, pois as melhores fotos são tiradas as margens do outro lado do rio.

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O castelo fica no alto da colina Wawel, a mais de 200 metros acima do nível do mar. Essa é uma das principais atrações da cidade, pois era a residência dos reis poloneses. O castelo tem uma arquitetura bem diferente, um mix de estilos e cores, que ficou bem interessante.

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Além de percorrer o pátio, ver uma estátua de bronze do Papa João Paulo II (que era polonês e nasceu em Cracóvia), ainda podemos caminhar pelas muralhas (de onde se tem ótimas vistas dos arredores e do rio Vístula), sem contar que ainda é possível visitar o castelo (os apartamentos de estado, os apartamentos reais, capela real, exposições de tapeçaria holandesa, podemos ver as jóias da coroa).

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Ainda junto ao castelo fica a Catedral Basílica de São Estanislau e São Wenceslau, local onde os reis da Polônia eram coroados e enterrados junto com outras personalidades importantes do país. Dos 45 reis que a Polônia já teve, 39 estão enterrados ali.

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Quando eu fui, durante o inverno europeu, foi bem tranquilo comprar o ingresso lá na hora. Existem diversas opções de ingressos, tudo deve ser comprado em separado. Então é importante saber o que realmente interessa pra poder comprar os tickets certos e não pagar nada a mais por isso. No total, eu levei umas 3 horas pra visitar praticamente todas as atrações do castelo, caminhar pelas muralhas e bater as fotos do outro lado do rio (Uma das únicas atrações do castelo que eu não visitei foi o Covil do Dragão).

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Saindo do Castelo, minha próxima parada foi na Praça do Mercado. Para ir até lá, eu percorri a Rota Real, que assim como em Varsóvia, Cracóvia também tinha a sua. Essa Rota Real existe desde a época em que a cidade foi capital da Polônia. A Rota Real era por onde passavam os reis no dia em que iriam ser coroados. Ela tinha inicio na Igreja de St Florian, passava pelo Portão Florian para entrar na cidade antiga, atravessava todo o centro histórico e seguia até o Castelo de Wawel.

Então, quem estiver no Castelo e assim como eu, quiser caminhar por essa rota, é possível. É só seguir o trajeto pelas ruas Floriańska e a Grodska, até chegar na Praça do Mercado.

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A Praça do Mercado (Rynek Główny), fundada no século 13, é considerada a principal praça de Cracóvia. É nela onde ficam a maioria das outras atrações da cidade antiga.

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Bem no centro da praça fica o Sukiennice, onde no primeiro andar tem uma espécie de feirinha onde são vendidos comidas, bebidas e diversos souvnirs, já no segundo andar (eu não visitei), fica um museu onde estão em exposição obras de pintores poloneses.

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Numa das extremidades do Sukiennice fica o que restou da antiga prefeitura da cidade: a sua torre. Essa torre tem aproximadamente 70 metros de altura e assim como a Torre de Pisa, na Itália, ela também é torta, mas a sua inclinação é mais discreta. Quem tiver interesse em ver a cidade lá do alto, é possível visitar, mas somente nos meses de verão. Quando eu fui, em janeiro, a plataforma de observação da torre tava fechada, somente algumas exposições estavam abertas.

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Na praça também ficam duas igrejas: Igreja de Santa Maria e a Igrejinha de São Adalberto.

A Igreja de São Adalberto tem mais de mil anos de existência e é considerada uma das mais antigas da Polônia. A construção é tão bonitinha, que dá vontade de morar ali pra sempre. =D

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E ainda, a Igreja de Santa Maria, considerado um dos mais importantes cartões postais da cidade e do país. A primeira coisa que chama atenção são as suas duas torres desiguais. Existem diversas lendas sobre o motivo de as torres serem diferentes, mas a que mais convenceu foi a de que dois irmãos competiam pra ver quem construiria a torre mais alta e mais bonita. O que tinha a torre mais alta matou seu irmão e mais tarde também acabou se matando. Verdade ou não, as histórias não param por ai.

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A cada hora cheia, podemos ouvir um toque de trompete desde a torre mais alta dessa catedral. Dizem que essa tradição permaneceu em homenagem a um trompetista que foi assassinado pelo exército Mongol, quando eles tentaram invadir a cidade. Esse toque de trompete recebeu um nome, Hejnał mariacki ou a alvorada de Santa Maria, e para deixar o som mais próximo da realidade possível, ele para de tocar abruptamente, como forma de “mostrar” as pessoas a forma brutal e repentina como ele foi morto.

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Pra comprar o ingresso pra visitar essa igreja, é bem tranquilo. Dá pra comprar lá na hora mesmo. No dia que eu fui, não tinha fila. Talvez no verão seja mais movimentado, mas imagino que não haja dificuldade em comprar o ticket.

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E por fim, antes de voltar a estação de trem no final da tarde, eu consegui caminhar um pouco pela área onde estava uma fortaleza que cercava a cidade e atravessar o Portão de Florian, que permite entrar/sair da Cidade Velha de Cracóvia.

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Como deu pra ver, esse roteiro foi na medida. Eu consegui visitar com calma todos os lugares que me interessava e ainda, sobrou um tempinho pra ficar ali na praça vendo o movimento e batendo fotos ao anoitecer.

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Antes de pegar o trem de volta pra Varsóvia, eu consegui ir a um shopping que fica ao lado da estação de trem, e por sorte comprei algumas coisinhas pra jantar, pois naquele dia meu trem tava atrasado quase 1 hora.

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Obs.: Uma coisa que eu tenho que comentar é que, em todos os lugares que fui, sempre havia carros da polícia e policiais andando pra lá e pra cá. Achei Cracóvia muito segura!

Bruna Bartolamei
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Bruna Bartolamei

Catarinense, mas atualmente morando em Curitiba-PR. Já morou em Edimburgo, a capital da Escócia por quase 2 anos. Criou o blog pra contar um pouco mais sobre como foi o seu intercâmbio na terra dos Kilts e das Gaitas de Fole, e também, sobre suas viagens pelo mundo.
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Postado em Cracóvia, Polônia
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  1. Décio Lavos Coimbra 04/07/2016 | 00:43

    Bruna, gostei bastante de sua descrição sobre Cracóvia (e vou ler o que fala de Varsóvia). Minha dúvida é sobre a língua. Nas placas que aparecem nas fotos sempre aparece também em inglês. É usual isso no geral? Sabe dizer sobre o resto da Polônia (que pretendo fazer de carro)? E além do “escrito” (se passou dificuldades para tomar uma direção ou mesmo para entender alguma explicação), como é a questão do “falar” por lá? Em nenhum momento (estação de trem, passeios, etc.) você cita algum problema a respeito: não há mesmo? Desde já, obrigado.

    • Contando as Horas 06/07/2016 | 15:34

      Oi, Décio

      Por onde andei, na parte mais turística, as placas são assim em inglês. Na area mais turistica tbm falam inglês, o basico, nos hotéis o pessoal fala melhor inglês, dá pra tirar alguma duvida, coisa do tipo.

      Eu só estive em Varsóvia e Cracovia, portanto, nessas eu posso te dizer que vc consegue se virar relativamente bem com inglês. Algumas pessoas não falam, mas hoje em dia tem google tradutor offline pra traduzir alguma coisa, o que não é tão tenebroso quando na época que fui, que nem existiam esses aplicativos.

      Eu passei por uma situação na estação de trem pra ir de Varsovia pra Cracovia, onde o painel era todo em polonês e eu não entendia nada hahaha Pedi infos, mas os funcionários ali perto não souberam me ajudar. Ai fiquei tipo “cara – crachá” olhando o que dizia na minha passagem e o que dizia nas opções de Cracóvia no painel e consegui achar meu trem. Outra situação que aconteceu foi um dia que tava tentando atravessar uma rua e fui parada por policiais, eles começaram falando em polonês e eu não entendi nada, pedi pra traduzir pro inglês, eles não sabiam direito e fizeram mímicas. Em resumo, o policial tentou me dizer que havia uma passagem subterrânea pra atravessar a rua e não era pra eu tentar atravessar a pista correndo. Fiz isso, procurei a passagem subterrânea. Ainda bem que fiz isso, pq eles ficaram me observando do outro lado da rua. Acredito que se tivesse tentado atravessar a rua correndo, eles teriam ido atras de mim e sei la o que poderia ter acontecido. Mas enfim… dá pra se virar. É dificil, mas dá. Acredito que hoje ja tenha melhorado um pouco, afinal, fui em 2011.

      • Décio Lavos Coimbra 06/07/2016 | 17:41

        Obrigado, Bruna. Abraço.

  2. Vivian 11/10/2016 | 15:03

    Oi Bruna!!

    Parabéns pelo blog! Está sensacional!!
    Me diz, vi que vc foi à Polônia em janeiro e que fez seus passeios como planejado, mas pegou muito frio ou suportável? Meu receio é ter passeios restritos em função de neve/frio durante o inverno. Quanto ao frio não tenho problemas (sou de Curitiba e já viajei no outono e inverno pro hemisfério norte).

    Obrigada!!!
    Vivi

    • Contando as Horas 17/10/2016 | 08:46

      Oi, Vivian

      Muito obrigada! :D

      É bem frio sim, mas todos os lugares sao bem preparados. Exceto se tiver muito acumulo de neve pode ser um pouco complicado ir a parques e tal, mas no geral da pra fazer tudo, sem problemas.

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