24.06
2015

Vale do Champagne: Informações práticas sobre a região e a história do Champagne

A França é um daqueles destinos que merecem várias visitas. Quem vai a Paris uma vez, sempre vai querer voltar. E é justamente ai que outras regiões da França tem mais possibilidades de serem incluídas em um roteiro, como por exemplo, o Vale do Champagne.

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O Vale do Champagne fica na região de Champagne-Ardennes, no nordeste da França. A capital dessa região é a cidade de Châlons-en-Champagne, mas as cidades mais visitadas são Reims, Épernay, Troyes, Langres, Aÿ, entre outras. São nessas cidades onde se concentram a maior parte da produção do champagne francês. 

Nessa ultima viagem que fizemos, resolvemos incluir no roteiro as duas principais cidades do Vale do Champagne: Épernay e Reims.

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Avenue de Champagne, em Épernay

Em Épernay é onde ficam algumas das principais marcas de champagne, como: Möet & Chandon, Mercier, De Castellane, Perrier & Jouët, Pol Roger, Demoiselle, Boizel, entre outras.

Em Reims ficam outras grandes marcas de champagne de fama mundial, como: Veuve Clicquot, Mumm, Ruinart, Taittinger, Vranken Pommery, Krug, Lanson, entre outras.

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Catedral de Notre-Dame, em Reims

O escritório de turismo da França criou uma Rota Turística do Champanhe (Routes Touristiques du Champagne) pra facilitar a vida de todas as pessoas que querem conhecer melhor essa região de carro. Como não foi o nosso caso, nós fomos direto visitar as principais produtoras de champagne da região, que ficam nas cidades de Épernay e Reims.

Quem não quiser percorrer essa rota de carro, uma boa opção é usar o trem. Nós fizemos dois bate-voltas a partir de Paris e foi bem tranquilo.

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No primeiro dia fomos a Épernay para conhecer a Avenue de Champagne, local onde ficam todas as grandes maisons produtoras na cidade. Como é impossivel (e também cansativo e repetitivo) visitar todas, nós optamos por conhecer apenas a Mercier e a De Castellane. A Möet & Chandon e a Perrier & Jouët também estavam nos nossos planos, mas uma estava fechada para reformas e a outra não abre para visitação.

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Já em Reims, aproveitamos o dia pra conhecer um pouco da cidade, a Catedral de Notre-Dame e o Palácio Tau, além das maisons Veuve Clicquot e Mumm. A gente também tinha selecionado visitar a Ruinart, por ser a mais antiga das produtoras de champagne, mas a visita custa 70,00 euros/pessoa, é bem mais detalhada e completa (com duração de 2 horas) e ainda, como os tours são particulares, precisa agendar com muita antecedência.

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Na degustação de Champanhe Veuve Clicquot, em Reims

Em ambas as cidades nos fomos de trem. Os trens para essas cidades partem de Paris da estação de trem Gare d’Est. Para ir de Paris a Épernay ou Reims, os trens são diretos e os trajetos duram respectivamente 1 hora e 14 minutos e 46 minutos. Ao chegar em Épernay e Reims, ambas as estações de trem ficam bem no centro da cidade, então dá pra ir a pé por tudo. Bem tranquilo!

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Perrier Jouët na Av de Champagne, em Épernay

A Champagne é um vinho branco espumante produzido somente na região de Champagne-Ardennes, qualquer outra bebida similar produzida em qualquer outra parte do mundo é considerada apenas espumante.

Ela é produzida através da fermentação de uma ou mais espécies de uva, mas as principais são chardonnay (uva branca), pinot noir (uva tinta) e pinot meunier (uva tinta).

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Tamanho de garrafas de champagne e seus respectivos nomes

Existem 6 tipos de champagne, que são classificados conforme a quantidade de açúcar adicionada. Entre eles estão: Doux (doce), Demi-Sec (meio-seco), Sec (seco), Extra-Sec (extra-seco), Bruit (bruto) e Extra-bruit (extra-bruto). Segundo os guias dos tours que fizemos, os mais vendidos são: Demi-Sec e o Bruit.

Dizem que esse processo de fermentação do vinho que deu origem a champagne foi descoberto por acaso por dois monges, Dom Périgon e Dom Ruinart, que ficaram intrigados pq as garrafas onde os vinhos produzidos eram armazenados sempre explodiam.

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O método utilizado pelos monges era o champenoise, onde o vinho ganhava bolhas de gás de forma natural dentro da própria garrafa. Hoje em dia, existem diversos métodos de produção de champagne, mas o que prevaleceu foi esse, onde basicamente acontece um processo de fermentação dupla. A primeira etapa da fermentação acontece em tanques de aço inoxidável ou em barril de carvalho dependendo da maison. E o segundo método de fermentação acontece dentro das próprias garrafas que estão armazenadas nas caves subterrâneas.

Durante o tempo de armazenamento nas caves, as garrafas precisam ser giradas diariamente para que o deposito de leveduras vão para o gargalo. Essa tecnica foi inventada por Nicole Barbe Clicquot-Ponsardin, mais conhecida por Veuve Clicquot, e foi chamada de remuage. Quando a champagne já estiver pronta para o consumo, o depósito dessas substancias são retirados e conforme a classificação que se quer dar a champagne (de Douxe a Extra-Bruit), a quantidade de açúcar é adicionada.

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Técnica de remuage inventada pela Veuve Clicquot

Obviamente que, hoje em dia, durante o processo de produção de champagne as perdas são muito menores. E tudo isso graças as técnicas de observações e testes que foram feitos ao longo dos anos, sugeriram algumas mudanças na produção e armazenamento dos vinhos e assim, as garrafas pararam de explodir. Então por exemplo, ao usar garrafas de vidro mais espesso, o uso de rolha de cortiça e o armazenamento em caves melhoraram muito a técnica de produção e de desperdício dessa bebida.

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Como dá pra notar, o processo de produção dos champagnes é demorado, onde um champagne comum leva pelo menos 2 anos pra ficar pronto e um champagne com caracteristicas especiais pode levar até 5 anos pra ser produzido.

Hoje em dia, o Vale do Champagne recebeu um selo de denominação de origem controlada (AOC), que nada mais é do que as regras (super rigidas) que as maisons precisam cumprir para que seus produtos continuem sendo considerados champagne por lei.

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Diferentemente do que acontece com os vinhos italianos, os champagnes franceses não precisam ter esse selo estampado nos seus rótulos, pois qualquer bebida espumante produzida nessa região, por lei é considerada champagne.

A champagne sempre este relacionada a festas, grandes acontecimentos e a nobreza. E nem é muito difícil de imaginar o pq.

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Séculos atras, todos os reis da França foram coroados na Catedral de Notre-Dame de Reims, uma das cidades mais importantes na rota da produção de champagne. Não é difícil de imaginar os banquetes e comemorações regados a champagne, motivo pelo qual essa região carrega todo um glamour digno de comemorações como as feitas por reis e rainhas!

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Avenue de Champagne, em Épernay

Obs. 1: A melhor época pra visitar essa região é em setembro e outubro, época em que acontece a colheita das uvas.

Obs 2: Geralmente durante os meses de inverno algumas maisons fecham suas portas, já outras fecham apenas por algumas semanas. Então é bom se programar com antecedência pra evitar surpresas.

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Bruna Bartolamei
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Bruna Bartolamei

Catarinense, mas já morou em Curitiba (8 anos) e em Edimburgo, a capital da Escócia (quase 2 anos). Criou o blog pra contar um pouco mais sobre como foi o seu intercâmbio na terra dos Kilts e das Gaitas de Fole, e também, sobre suas viagens pelo mundo.
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Postado em Épernay, França, Reims, Vale do Champagne
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  1. Bóia 29/06/2015 | 08:37

    Oi, Bruna. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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