28.06
2015

França: Reims, a cidade do Champagne e das Coroações dos reis franceses

Uma das cidades mais importantes do Vale do Champagne é Reims (se fala algo como “Rãms”), considerada a maior cidade da região de Champagne-Ardennes, com 190 mil habitantes. Além do Champagne, Reims também é conhecida por ser, desde o século 11, o local onde aconteciam as coroações dos reis franceses.

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Sendo assim, o turismo é uma das principais atividades que movimenta a economia da cidade, além de ser uma ótima opção para quem quiser montar base pra conhecer melhor a região.

Ao contrario de Épernay, Reims tem diversas atrações além das Maisons de Champagne. Pra conseguir conhecer tudo com calma, nós tivemos que montar o nosso roteiro assim: visita a uma produtora de champanhe, visita as igrejas e demais atrações da cidade e por fim, mais uma visita a outra maison de champanhe. Obs.: a maioria das Maisons fecham suas portas na hora do almoço. 

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Em Reims existem diversas Maisons de Champagne, como: Vranken Pommery, Ruinart (maison mais antiga, fundada em 1729!), Mumm, Taittinger (distribuidora oficial de champanhe da Copa do Mundo que aconteceu aqui no Brasil no ano passado!), Veuve Clicquot, Lanson, Krug, entre outras. No total, Reims tem mais de 250 km de tuneis subterrâneos onde estão armazenadas milhões de garrafas de champagne.

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Obviamente é impossivel conhecer todas em um único dia, então, depois de muito pesquisar, as escolhidas foram: Mumm e a Veuve Clicquot. Se a gente tivesse mais tempo, também teríamos conhecido a Vranken Pommery (parece um castelinho!) e a Ruinart (a mais antiga produtora de champanhe!). Sempre é bom deixar um motivo pra voltar, certo?!?! =D

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Basicamente todos os tours são iguais, onde é explicado um pouco da história da Maison visitada, como é o processo de produção do champagne, visita as caves e por fim vem a degustação. Pra não ficar repetindo tudo o que envolve a produção de champagne, quem quiser saber mais sobre a sua história, é só clicar nesse post aqui: Vale do Champagnhe: Informações práticas sobre a região e a história do champagne.

 G. H Mumm

Tenho certeza absoluta que todo mundo meio sem saber já viu uma garrafa de champagne da Mumm. A Mumm é a fornecedora oficial do champanhe da F1 desde o ano 2.000. Sabe aquela garrafa que o campeão estoura no podio? É champagne Mumm!

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A Mumm foi fundada no inicio do século 19 por Peter Arnold Mumm, um banqueiro que morava no vale do rio Reno, próximo a cidade de Colônia. Foi ali que ele deu inicio a sua modesta produção de vinho e quando seus vinhos começaram a fazer muito sucesso, seu três filhos se mudaram para o Vale do Champagne, fundaram a Maison Mumm e começaram a produzir champanhe. Segundo a guia, no inicio, eles compravam as uvas de produtores da região, mas com o passar do tempo, começaram a cultivar as suas próprias uvas (pinot noir, chardonnay e pinot meunier) para garantir a qualidade. E a qualidade de produção de uvas para a Mumm é um assunto muito sério, principalmente pq o seu champagnes são servido para diversas cortes reais europeias desde a época da sua fundação até hoje em dia. Não é atoa que ela é considerada a terceira maior Maison de Champagne do mundo!

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Outra coisa que chama atenção é o seu emblema, o Cordon Rouge. Segundo a nossa guia, essa fita vermelha de seda está relacionada com a Légion d’honneur française, uma das maiores honrarias da França, concedida a pessoas que tiveram grande importância ao defender a França desde o período de Napoleão Bonaparte.

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A visita a Mumm segue diretamente para o subsolo, onde estão as garrafas de champanhe estão armazenadas. Depois de uma rápida explicação sobre a sua fundação, a produção do champanhe, a gente começa a caminhar pelo percurso já pré-definido, passando por diversas garrafas de champanhe em fase de produção ou de envelhecimento. Dizem que nos seus 25 km de caves estão mais de 25 milhões de garrafas de champanhe. A visita segue por um museu dedicado a produção da bebida, onde estão em exposição algumas garrafas, rotulos, equipamentos antigos de produção, entre outros.

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E por fim, a visita termina com uma degustação de champagne, claro. Existem dois tipos de degustação: Vintage (com direito a 2 taças de champagne) e Grand Cru (onde são servidos 3 taças de champagne). Eu e minha mãe não provamos nenhuma, pois ainda era 10:30 horas da manhã, mas meu pai e meu irmão pegaram a degustação com direito a provar as 3 taças.

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Junto com a sala de degustação fica a lojinha, com diversas coisas legais a venda, desde garrafas de champanhe, até taças, sabres, entre outros.

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A Mumm fica na 34, rue du Champs de Mars. Abre todos os meses do ano, mas os horários variam de acordo com a estação do ano. O tour dura aproximadamente 1 hora. A maior parte dos tours são em francês, portanto é bom se informar qual é o horário dos tours em inglês. Quando nós estivemos lá, o primeiro horário é feito tour em francês, só que como não apareceu ninguém, a guia topou de adiantar o tour em inglês pra nós. Devo dizer que isso foi muito gentil da parte dela, pq senão a gente teria que fica lá esperando 1 hora até começar o tour em inglês.

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O que conhecer em Reims

Despois de visitar a Mumm, nós fomos caminhando até o centrinho de Reims, onde estão as principais atrações da cidade. Pelo caminho passamos pela Porte de Mars, um portão que fazia parte das antigas muralhas que protegiam a cidade.

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Um pouco mais adiante fica a principal praça da cidade, a Place Royale. No centro dessa praça fica uma estátua do rei Luis XV.

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Repare que em uma das ruas que parte da Place Royale geralmente está toda enfeitada durante os meses de verão, pois ela liga essa praça a Prefeitura da cidade. Um prédio super bonito!

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Em questão de pouquíssimos minutos de caminhada a gente chega na maior atração de Reims: a Catedral Notre-Dame de Reims, que apesar de estar em reformas, era ali onde aconteceu diversas coroações de reis Franceses.

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Construída durante o século 13, essa igreja de arquitetura gótica totalmente feita de pedras e com duas torres iguais foi palco de 25 coroações de reis, além ter presenciado também alguns batizados e outras celebrações importantes.

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Não deixe de reparar nos vitrais dessa igreja, obras de Marc Chagall e na fachada frontal é onde fia o Anjo Sorridente, que dizem ser uma das coisas mais fotografadas dessa igreja. Eu sempre fico impressionada com os detalhes dessas igrejas na Europa!

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E ainda, pra quem gosta de ver cidades do alto, dá pra subir em uma da torres da catedral (mas tem que pagar). Fica a dica!

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Grudado a catedral, fica o Palácio de Tau (Palais du Tau), um palácio do século 15, que serviu de residencia para diversos reis franceses durante o tempo em que eles eram coroados na cidade. Era ali também, na Salle du Tau, um salão ricamente decorado com tapeçarias, onde os reis ofereciam os banquetes aos seus convidados logo após as cerimonias de coroações.

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Hoje em dia o palácio foi transformado em museu, o Musée de l’Oeuvre, onde é possível ver algumas esculturas, tapeçarias, quadros e objetos importantes usados durante as coroações.

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A visita ao palácio é rapidinha, acho que levamos uns 40 minutos pra ver tudo. O ingresso pode ser comprado pelo site ou também pode ser comprado la na hora.

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E por fim, ainda tivemos tempo de visitar a Basílica de Saint-Remi, uma abadia beneditina considerada uma das mais antigas construções de Reims. Essa basílica fica um pouco mais longe da área central da cidade, então é legal combinar uma ida até lá com a visita e degustação na Veuve Clicquot (ambas ficam muito perto, coisa de uns 10 minutos caminhando).

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Essa igreja tem uma decoração muito mais simples que a Catedral de Notre-Dame de Reims, mas vale a pena conhecê-la por um único motivo: é ali onde estão enterrados diversas personalidades francesas, entre elas, alguns reis e rainhas.

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Veuve Clicquot

Uma das maisons de champagne mais importantes (e famosa) da França (e do mundo) é a Veuve Clicquot, fundada em 1772 por Philippe Clicquot-Muiron. Seu filho, François Clicquot, se casou com Nicole-Barbe Ponsardin, que mais tarde veio a se chamar Veuve (viuva) Clicquot, mesmo nome dado a sua Maison de Champagne.

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A viuva Clicquot além de comandar muito bem sua empresa, se destacou também na descoberta de alguns processos que melhorariam a produção de champagne. Foi ela quem inventou a tecnica de remuage, onde as garrafas de champanhe vão sendo inclinadas ate chegar na posição vertical, fazendo com o que os restos de levedura e sedimentos do vinho se acumulem no gargalo da garrafa e possam ser eliminados, deixando o champanhe mais transparente e facilitando a formação das borbulhas de champagne.

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A visita é relativamente rápida, tem duração de aproximadamente 1 hora. Começa com as informações gerais sobre a região, a história da empresa e da Viuva Clicquot. Depois disso, a gente é levado ate as caves onde estão armazenadas milhões de garrafas de champanhe em processo de produção, além de alguns exemplares históricos que estão apenas em exibição.

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Segundo o guia, as caves de champanhe já serviram de abrigo, hospital e escola para as pessoas da cidade durante o período das guerras, inclusive a gente pode ver alguns sinais dessa época nas suas paredes.

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Depois de visitar as caves, a gente é levado para uma sala onde é feita a degustação. O guia explica o método de abertura de champanhe, onde a rolha deve ser girada até abrir e não ser aberta com uma especie de “explosão” da rolha (segundo os franceses, abrir champanhe dessa forma é falta de educação!).

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Dependendo do tipo de degustação escolhida (1 taça, 2 ou 3 taças), o guia passa servindo as pessoas em suas mesas. Ele também conta mais algumas curiosidades mais atuais da marca, como por exemplo as estratégias de marketing agressivas e a popularização e reconhecimento da marca em todo mundo.

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A Veuve Clicquot fica 1, Place de Droits de l’Homme, pertíssimo da Basílica St-Remi. Tem tour de hora em hora, que devem ser escolhidos de acordo com a preferencia relacionada as champanhes que vão ser provadas na degustação (existem três tipos de degustação). A reserva do tour deve ser feita com antecedência, por e-mail, sob o risco de ficar sem horário. Eu fiz a nossa reserva com mais de 1 mês de antecedência e só consegui vaga para o tour do horário das 15:30.

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Ah, tem uma lojinha (que eu esperava que fosse maior e com mais opções!) que vende suas champanhes e alguns produtos da marca, como toalha de piscina, taças de champanhe, abridor de garrafas, relógios, canetas, entre outras coisas.

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Dicas de restaurantes

Todas as cidades que vamos visitar, eu sempre procuro pesquisar alguns restaurantes ainda quando estou em casa, organizando o roteiro. Pra Reims eu havia separado algumas opções de lugares pra gente ir almoçar, como Le Restaurant Anna-S, Chez Nous, Le Jardin (restaurante da Veuve Clicquot) e Le Café du Palais, mas infelizmente a gente não foi a nenhuma dessas opções.

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Como eu tinha acordado me sentido meio mal, ninguém se empolgou muito em sair atras desses restaurantes e com isso, meus pais e meu irmão acabaram indo comer em um restaurante que fica na mesma praça que a Catedral de Notre Dame, o Au Bureau, uma espécie de pub que serve diversas opções de pratos rápidos e de cervejas e bebidas em geral. Muito bom!

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Além disso, outra coisa super famosa na cidade são os bolachas de champanhe. A gente acabou comprando duas caixinhas dessa bolacha na Maison Fossier, uma loja que existe desde 1756 e que fica bem pertinho da Catedral.

Transporte público em Reims

Apesar de ser uma cidade relativamente pequena, Reims é muito bem servida por transporte público, como ônibus (tem diversas linhas de várias cores que atravessam a cidade) e trams ( também tem duas linhas, a Linha A (cor vermelha) e a Linha B (cor azul, passa pela estação de trem).

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Quando nos estivemos em Reims, nós pegamos o ônibus para ir da Catedral de Notre-Dame até a Basílica de St Remi, existem diversas linhas que passam por esses dois lugares, a que passar primeiro, é só embarcar e comprar o ticket com o motorista. Nas paradas de ônibus tem painéis informativos com os preços e por onde cada uma das linhas passa. É bem tranquilo!

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Como ir até Reims

Existem diversas formas de ir de Paris até Reims, mas nós preferimos ir com o trem de alta velocidade TGV. O tempo de viagem é de 45 minutos. Os trens partem de Paris da Gare de l’Est e chegam em Reims na estação central chamada de Gare de Reims (existe outra estação que serve a cidade, a Gare de Champagne-Ardenne, só que essa fica um pouco mais longe do centro).

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Os trens de alta velocidade tem opção de 1 e 2 classe, mas pra quem quiser comprar na 1 classe, aconselho a comprar logo que der os 90 dias antes da viagem. Quando nós fomos comprar, com um pouco mais de 2 meses da data da viagem, os preços entre as duas classes estavam bem grandes. Então, como o trajeto era curto, fomos na 2 classe (que estava lo-ta-da!). Vale dizer que o TGV tem muuuuitos vagões, portanto dependendo de qual número for o vagão, pode ser necessario caminhar até o fim da plataforma, como foi o nosso caso (nosso vagão era o penúltimo).

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Importante: é necessário validar o ticket de trem nas máquinas amarelas antes de entrar no trem, assim evita levar multa caso algum fiscal passe verificar as passagens.

** Quem quiser ler um post sobre como é andar de trem na França, é só clicar aqui: Viajando de trem na França. **

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Dica

Evite ir a Reims na segunda-feira, pois o Palais de Tau e a Veuve Clicquot não abrem para visita.

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Bruna Bartolamei
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Catarinense, mas já morou em Curitiba (8 anos) e em Edimburgo, a capital da Escócia (quase 2 anos). Criou o blog pra contar um pouco mais sobre como foi o seu intercâmbio na terra dos Kilts e das Gaitas de Fole, e também, sobre suas viagens pelo mundo.
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Postado em França, Reims, Vale do Champagne
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  1. Nick 29/06/2015 | 15:12

    Oi Bruna, tudo bem ?
    Quando estive em Reims (maio de 2012), fui conhecer a Pommery e adorei. Eles fizeram há muito tempo atrás, uma bienal de artes nas caves e até hoje, tem várias obras de arte moderna espalhadas pelo subsolo da Maison. Em relação a cidade eu adorei, moraria lá com certeza. Vc esqueceu de dizer que as bolachas de champanhe são cor de rosa.
    Abraços !!!!!

    • Contando as Horas 29/06/2015 | 16:28

      Oi, Nick

      Então, eu queria ter ido na Pommery e na Ruinart tbm, mas em um dia não dava tempo pra fazer tudo e também, seria muuuito cansativo ficar ouvindo a mesma coisa sobre champagne em todas as maisons. Mas né, sempre ficam motivos pra voltar.

      Não sabia dessas obras de arte na Pommery, vou pesquisar.

      Verdade, elas tem cor rosa. Bem lembrado! Acredita que eu ainda não abri as latinhas ainda? Farei isso em breve!! =DD

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