03.09
2015

São João del Rei – MG, a cidade onde os sinos falam!

São João del Rei é uma das cidades históricas mineiras, localizada entre a Serra de São José e a Serra do Lenheiro, a 183 km ao sul de Belo Horizonte.

A cidade ficou famosa por três motivos: era a terra natal do ex-presidente Tancredo Neves, pela produção de produtos de estanho e pelas badaladas dos sinos de suas igrejas.

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Nessa viagem eu fiquei 4 dias em São João del Rei e pude presenciar de perto essa tradição super antiga da cidade, a história de que os sinos falam! Qualquer hora do dia era possível escutar as baladas vindas de qualquer uma das diversas igrejas da cidade. Dizem que pelo toque do sino as pessoas sabem o que está acontecendo na cidade, como por exemplo: vai haver procissão? morreu alguém? era homem ou mulher?quem vai celebrar uma missa? Todas essas perguntas são respondidas pelas badaladas dos sinos! 

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Obviamente que eu não entendi nenhuma mensagem que os sinos estavam querendo transmitir, mas tenho certeza que os quase 100 mil habitantes da cidade sim.

Mas ai vem aquelas famosas perguntas: Como os moradores conseguem saber disso tudo apenas com algumas badaladas? Pelo que fiquei sabendo, existem diversos tipos de batidas, com intensidades e quantidades de toques diferenciados para cada ocasião.

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Na teoria parece tudo muito simples, mas na prática, eu não consegui entender nada! Mas se alguém quiser se arriscar a entender a linguagem dos sinos de São João del Rei, eu achei esse site que dá maiores detalhes sobre as baladas de acordo com um determinado evento.

São João del Rei tem 35 igrejas, mas como era humanamente impossivel conhecer tudo nesses poucos dias que fiquei lá, eu priorizei as minhas visitas a 5 delas.

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Toda e qualquer visita a São João del Rei começa na igreja cartão postal da cidade, a Igreja de São Francisco de Assis, localizada na Praça Frei Orlando. Os principais destaques dessa igreja ficam por conta do projeto e das obras de decoração feitas por Aleijadinho. As igrejas desse período colonial brasileiro geralmente tem sete altares, sendo 6 altares menores nas laterais e um altar principal. Uma coisa que chama atenção nessa igreja é a riqueza de detalhe enfeitando os altares, mas o teto é totalmente sem decoração. Além disso, os lustres dessa igreja são em cristal Baccarat e nos fundos da igreja, no cemitério, é onde esta enterrado o ex-presidente Tancredo Neves e sua esposa, Risoleta Neves.

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Outra coisa imperdível nessa igreja são as missas nos domingos pela manhã. Junto com a missa acontece apresentação de cantos gregorianos. Super interessante! Vale lembrar que a missa começa as 09:15 e dura mais ou menos 1 hora.

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Saindo dessa igreja, é só seguir caminhando pela rua Padre José Maria Xavier e logo mais a frente vai estar o Memorial Tancredo Neves, uma espécie de museu que conta um pouco mais sobre a vida e trajetória politica do ex-presidente Tancredo Neves (tema para outro post!). Junto ao memorial tem uma estátua de Tancredo Neves, pra quem quiser bater uma foto de recordação.

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Quase em frente a estátua de Tancredo Neves fica uma das duas pontes de pedra da cidade: a Ponte do Rosário por onde é possível atravessar um córrego para chegar ao outro lado da cidade.

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A poucos minutos da Ponte do Rosário fica a Igreja Nossa Senhora do Rosário, considerada a igreja dos escravos negros. Infelizmente nos dias em que estive em SJDR, nunca encontrei essa igreja aberta. Pelo que fiquei sabendo, é muito raro ela abrir suas portas em qualquer dia, é necessário ir a alguma missa ou celebração especial pra conseguir conhecê-la.

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Ao lado dessa catedral dica o Solar dos Neves, casa que ainda pertence a família do ex-presidente Tancredo Neves. Dizem que ele morou ali por alguns anos. Infelizmente não é possível visitar, pois a residencia é mantida como local residencial.

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Logo adiante por essa mesma rua onde está o Solar dos Neves fica a rua Santo Antônio, mais conhecida como a rua Torta. Ao chegar ali a gente entende o pq desse nome, pois as casas tem sua fachada totalmente tortas. Essa rua é super fotografada, motivo pelo qual ao caminhar por ali a gente nota que todas as cortinas estão fechadas.

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Voltando para a frente da Igreja Nossa Senhora do Rosário, o roteiro continua em direção a Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar, a gente passa pelo Museu de Arte Sacra (que estava fechado no dia que estava passeando por ali). Pelo que li na internet, esse museu reúne diversos objetos em exposição, sendo que a peça mais importante do acervo é a capela trazida da Fazenda do Pombal, local onde nasceu Tiradentes.

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Museu de Arte Sacra (portas azuis)

Logo adiante está a Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar, considerada a primeira igreja construída na cidade em homenagem a Nossa Senhora do Pilar, a padroeira da cidade. Internamente, de todas as Igrejas de São Jão del Rei, essa foi a que mais me impressionou. A decoração interna é muito rica, com muitas talhas em ouro em seus altares e pinturas no teto, além de diversas estátuas. Vale a pena conhecer!

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Literalmente atrás da Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar, no alto de uma pequena colina, fica a Igreja Nossa Senhora das Mercês, uma igreja com uma fachada um pouco diferente das outras, pois ela tem apenas uma torre. É uma igreja pequena, mas com uma decoração interna muito bonitinha. O legal de ir até essa igreja é que lá do alto da pra ter uma vista legal de São João del Rei, o que garante algumas boas fotos.

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As torres da Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar

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A esquerda está a Igreja de Nossa Senhora do Carmo

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E a direita a Igreja de São Francisco de Assis

Seguindo caminhando pela pracinha que está no lado esquerdo, logo chegamos a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Externamente essa igreja se parece muito com a Igreja de São Francisco de Assis. Ela é uma das igrejas com decoração interna mais simples que visitei. A igreja é toda branca por dentro e tem poucos detalhes em ouro. Na verdade, a maior atração dessa igreja é a sua fachada exterior e a imagem de Cristo Inacabado (sem os braços).

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Nos arredores dessa igreja ficam outras atrações, como: o Cemitério do Carmo, um dos raros exemplos de cemitérios cobertos encontrado no Brasil. É também onde está localizado o Solar da Baronesa de Itaverava, que hoje funciona como um espaço cultural.

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Voltando as margens do córrego, um pouco mais adiante encontramos a outra ponte de pedra da cidade, a Ponte da Cadeia, que antigamente era feita de madeira e acabou sendo destruída quando passava por ela uma procissão, dando lugar a atual ponte de pedra.

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Ponte da Cadeia

Um pouco mais adiante encontramos uma pequena pracinha onde estão as estátuas de Tiradentes e de Tancredo Neves, uma de frente pra outra.

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Quase em frente a essa região, porem do outro lado do córrego está a estação de trem da cidade, de onde parte o trem Maria Fumaça em direção a Tiradentes apenas durante os finais de semana e feriados (tema para outro post!).

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E por fim, o roteiro termina na Praça dos Expedicionários onde estão localizados a Igreja de São Gonçalo, o Monumento ao Expedicionário e o Chafariz da Legalidade, um chafariz construído para prestar uma homenagem ao curto período em que São João del Rei foi a capital de Minas Gerais.

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Dica importante: como a cidade é toda feita com ruas de paralelepípedo, é interessante levar tênis ou uma bota confortável. Se tiver chovendo, o mais indicado é um tênis, pois as pedras são lisas em dias com sol, o que eu imagino que em dias de chuva a coisa deve ser um pouco pior.

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Ah, e também não deixe de apreciar o por do sol perto da Igreja de São Francisco de Assis. Simplesmente maravilhoso!

Bruna Bartolamei
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Bruna Bartolamei

Catarinense, mas já morou em Curitiba (8 anos) e em Edimburgo, a capital da Escócia (quase 2 anos). Criou o blog pra contar um pouco mais sobre como foi o seu intercâmbio na terra dos Kilts e das Gaitas de Fole, e também, sobre suas viagens pelo mundo.
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Postado em Brasil, Minas Gerais, São João del Rei
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  1. Cris Marques 06/09/2015 | 16:17

    Fiquei curiosa para entender um pouco mais dessa linguagem dos sinos… Achei isso demais!

    Adorei o post e essa última foto ficou MARAVILHOSA!!!

    Grande abraço!

    • Contando as Horas 06/09/2015 | 18:29

      Oi, guriaaa!!

      Interessante e meio louca essa história dos sinos, né?!?! Eu até tentei dar uma lida nas explicações daquele site que citei aqui no post e escutar algumas badaladas, mas não consegui identificar nada hahaha

      Obrigada pela visita aqui no blog! =DD

  2. Sonia 07/09/2015 | 22:46

    Cada foto linda! Essa história dos sinos é muito bacana, acho que só morando lá mesmo para aprender (entrei no site, mas são muitas modalidades de toques para conseguir entender!haha).

    • Contando as Horas 09/09/2015 | 01:04

      Oi, Sonia

      Verdade! Lendo os dois ou três primeiros tipos de toque a gente até se empolga em tentar entender, mas depois de ver aquela lista interminável, realmente fica difícil. É um pouco confuso. Mas imagino que deve ser legal tentar entender, principalmente pra quem mora lá, pq como vc bem sabe, aqueles sinos toooocam o tempo todo!

      Obrigada pela visita aqui no blog!

  3. ANTONIO R SOUSA JR 29/10/2015 | 14:30

    Sensacional o post ! Adorei o texto e as fotos estão demais! você andou hein?

    • Contando as Horas 01/11/2015 | 17:34

      Oi, Antonio

      ahahahaha Não andei quase nada!!! =PP

      Gostei tanto da cidade que ainda fiz um tour noturno com a Fernanda e a Gabriela e depois ainda, no domingo, dei mais uma caminhadinha pela cidade. Adorei a tranquilidade dessas cidades históricas, em especial SJDR!

  4. Antonio Emilio da Costa 17/11/2015 | 00:37

    Excelente post.Mostrou um retrato bem fiel de São João del-Rei.

    Se quiser conhecer algumas histórias pitorescas do passado e do presente são-joanense, acesse o almanaque eletrônico Tencões e terentenas – diretodesaojoaodelrei.Tem muito da cor e do tempero local através dos séculos, coisa que normalmente não são informadas nem aos turistas mais atenciosos.

    Sucesso em seu trabalho e grande abraço!

    • Contando as Horas 25/11/2015 | 13:08

      Oi, Antonio

      Obrigada!! Vou olhar o seu site! Legal! Gostei bastante de conhecer essa parte do Brasil, as cidades histórias de MG tem muita história mesmo, impossível saber de tudo.

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