07.11
2015

Ouro Preto: A primeira cidade brasileira a ser considerada Patrimônio Histórico da Humanidade

Ouro Preto, junto com Tiradentes, com toda a certeza são as duas cidades históricas mineiras mais visitadas. Como o título desse post já diz, em 1980, a cidade foi declarada Patrimônio Histórico da Humanidade, se tornando a primeira cidade brasileira a conseguir esse feito.

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Ouro Preto, ao longo dos seus mais de 300 anos de existência, chegou a ser capital de Minas Gerais, mas isso foi por pouquíssimo tempo, apenas alguns meses até que Belo Horizonte passou a ser a capital do estado. Hoje em dia, a cidade tem aproximadamente 70 mil habitantes que parecem conviver em perfeita harmonia com todas aquelas milhares de ladeiras intermináveis. Quem já esteve em Ouro Preto sabe do que eu to falando, impossível esquecer as suas ladeiras! E ainda, pra tornar a experiência mais inesquecível ainda, as ladeiras são todas de paralelepípedo. 

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Quem vai a Ouro Preto, deve começar o seu roteiro pela Praça Tiradentes, a principal praça da cidade. É nesse local onde o lider da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido por Tiradentes, foi enforcado. No centro da praça fica um monumento com uma estátua de Tiradentes no topo. Além disso, nessa praça fica o Museu da Inconfidência, o Museu da Ciência e Técnica e Camara Municipal de Ouro Preto, além de diversas lojinhas.

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É legal aproveitar e já visitar o Museu da Inconfidência, localizado no prédio da antiga Casa de Câmera e Cadeia de Vila Rica (antigo nome de Ouro Preto). Não deixe de reparar no chafariz que fica na escadaria do museu, considerado o principal chafariz para abastecer a cidade com água potável antigamente. Ao entrar no museu, é necessário comprar o ticket (valor em agosto de 2015 era de 10,00 reais) e deixar mochilas, bolsas e casacos no guarda-volumes.

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Esse museu conta um pouco da história da cidade e do período da Inconfidência Mineira, através de documentos históricos, como o livro original com a declaração da condenação de Tiradentes, por exemplo). Além disso, também é possivel ver algumas estátuas sacras, objetos, mobiliários antigos e o principal destaque do museu, o Panteão da Inconfidência, onde estão os restos mortais 16 inconfidentes condenados pela coroa portuguesa, entre eles, uma lápide que homenageia Tiradentes.

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Em cada um dos lados do Museu da Inconfidência tem uma igreja. No lado direito está a Igreja Nossa Senhora do Carmo e no lado esquerdo, a Igreja de São Francisco de Assis. Na minha opinião, ambas merecem uma visita.

Pra colocar um certo sentido nesse roteiro, o mais indicado é ir primeiro na Igreja de São Francisco de Assis. Além do seu estilo barroco e rococó, um dos seus grandes destaques são as obras de decoração interna e externa feita por Aleijadinho e a pintura do teto, feito por Mestre Ataíde. Segundo o guia, as obras do teto foram inspiradas na Capela Sistina. A visita custa 10,00 reais e infelizmente não dá pra fotografar nada lá dentro.

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Bem em frente a essa igreja fica a Feira de Artesanato do Largo do Coimbra, local onde é possível encontrar diversos objetos e souvenirs esculpidos em pedra-sabão, muito popular em Ouro Preto.

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Desdendo por uma ruazinha na lateral esquerda da Igreja de São Francisco de Assis, logo se chega a Igreja de Nossa Senhora das Merces e Perdões, que no dia que eu estive lá não tava aberta pra visitação.

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Voltando por essa mesma rua, descendo a ladeira, logo se chega a Igreja Nossa Senhora da Conceição, local onde estão enterrados Aleijadinho e seu pai. Como a igreja está passando por restauração, não é possível visitá-la até pelo menos 2017.

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Subindo a ladeira de volta, logo se chega a Praça Tiradentes novamente, ai é só procurar pela ladeira da rua Conde de Bobadela pra ir até um outro importante museu da cidade, o Museu Casa dos Contos. Antigamente nesse local ficava uma casa de pesagem e fundição do ouro extraído da região. Era nesse lugar onde o ouro era transformado em barra e recebia um certificado dos representantes do governo português. Também era aqui onde era cobrado o imposto chamado de “quinto”, pq um quinto do valor da barra de ouro era destinado a Coroa Portuguesa.

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Esse museu tem dois andares. É legal começar a visita pelo térreo, assistindo um vídeo de uns 10 minutos no máximo, que dá uma boa noção sobre a história desse museu e da cidade. Ao lado dessa sala ficam as senzalas, que também é possível visitar e ver de perto diversos objetos ou instrumentos de tortura usados contra os escravos.

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No andar superior tem uma exposição especial chamada “Casa da Moeda do Brasil” onde é possível acompanhar a evolução das moedas e notas do Brasil. A coleção é enorme e tem diversos exemplares de moedas antigas e notas mais recentes, indo desde o Cruzeiro Novo até o Real. Não deixe de reparar em algumas salas que o teto tem decoração especial, obra do Mestre Ataide e também nos mobiliários de época que compõem a decoração do museu. A visita a esse museu é gratuita.

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Se alguém quiser caminhar pelo Parque Horto dos Contos, existe uma entrada através desse museu também. Apesar de eu não ter conhecido, dizem que o parque conta com uma trilha e é um ótimo lugar pra fotografar a cidade. Fica a dica!

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Bom, mas continuando a caminhar pela rua que passa em frente ao Museu Casa dos Contos, logo a gente chega na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Essa igreja é a mais diferente de todas, pois ela é meio arredondada. Essa igreja foi construída por escravos e claro, todos os altares são dedicados a santos negros. Ela não tem uma decoração interna tããão impressionante como outras igrejas, mas vale a visita. A entrada é gratuita e ela só abre na parte da tarde.

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No trajeto entre a Igreja Nossa Senhora do Rosário a Basilica Nossa Senhora do Pilar fica o Jardim da Ponte Seca, que até 2011 era uma área abandonada e passou recentemente por uma revitalização, se tornando um lugar super bonitinho e agradável pra descansar um pouco antes de continuar a andança e o sobe e desce de ladeiras.

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A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar fica meio encoberta por construções da redondeza, mas isso pouco importa. Na verdade,  a parte mais legal da visita a essa igreja é o seu interior. Sem duvida alguma, na minha opinião, essa é a igreja mais bonita de Ouro Preto. Impossível alguém entrar lá e não ficar boquiaberto vendo sua decoração dos sete altares todos feitos com ouro, além do teto, totalmente enfeitado. Não deixe de reparar que essa igreja parece anfiteatro, com camarotes nos lugares mais altos, logo acima dos altares laterais. Segundo ouvi um guia contar, essa igreja junto com a Igreja da Conceição, são as duas únicas de Ouro Preto com anfiteatro e camarotes, local frequentado somente por pessoas com melhor poder aquisitivo em dias que aconteciam as missas.

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Além de visitar a igreja, no subsolo existe um museu, o Museu de Arte Sacra, com diversas peças, objetos, documentos, roupas, pinturas religiosas e mobiliários antigos. A visita é rapidinha, coisa de uns 30 minutos, pois o museu é bem pequeno.

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Vale comentar que o ticket é comprado em uma casinha, localizada no lado esquerdo da rua, na casa numero 17. O valor agora em agosto de 2015 era de 10,00 reais.

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Aproveite pra descansar um pouco na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, pq as próximas ladeiras são pra matar. Depois de uns 20 minutos praticamente só subindo, logo chegamos ao Teatro Municipal de Ouro Preto. Eu não sabia e nem tinha encontrado nenhuma informação muito atualizada, mas ele está fechado pra reformas. Com isso, não pude visitá-lo, mas ao menos deu pra fotografar a fachada. Mesmo assim vale a pena ir até lá, pois ele leva o título de teatro mais antigo do Brasil, construído no final do século 18! Essa informação está até registrada no Guinness Book!

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Em amarelo e marrom, o Teatro Municipal de Ouro Preto

E logo em frente, no outro lado da rua, esta a Igreja Nossa Senhora do Carmo, uma das ultimas obras feitas por Manuel Francisco Lisboa, o pai de Aleijadinho. Mas Aleijadinho também deixou suas marcas nessa igreja, foi ele quem fez a portada, os alteres laterais, entre outros. Apesar de ter uma decoração externa em estilo rococó super bonita, internamente o grande destaque são os azulejos portugueses nas laterais do altar principal, único exemplar com esse tipo de decoração em Minas Gerais.

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Eu optei por visitar apenas a igreja, mas pra quem tiver interesse, junto a igreja fica o Museu do Oratório, que como o próprio nome já sugere, é onde estão diversos oratórios produzidos entre os séculos 18 e 20.

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Se vc, assim como eu, optar por terminar o dia ali, é legal sentar nas suas escadarias e esperar junto com diversas outras pessoas, pelo por-do-sol. Simplesmente imperdível!

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Quem ficar mais de um dia na cidade, pode também assistir ao por-do-sol em outras duas igrejas: a Igreja de Nossa Senhora das Merces e Misericórdia e na Igreja de São Francisco de Paula (fica pertinho da rodoviária). Eu estive nas duas igrejas, mas optei por esperar o por do sol no mirante em frente a Igreja de São Francisco de Paula, que me pareceu mais movimentado. Dizem que essa igreja foi a ultima a ser construída durante o período colonial, por isso sua decoração interna é bem simples e não ostenta tanto ouro em sua decoração interna como as demais igrejas da cidade.

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Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia a esquerda e Igreja de São Francisco de Paula a direita, vistas da Igreja de Nossa Senhora do Carmo

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Eu não consegui visitar nenhuma dessas igrejas internamente, mas se for pra escolher apenas entre 1 delas, tanto pra visitar quanto pra ver o por do sol, eu indicaria a Igreja de São Francisco de Paula por dois motivos: o mirante e o estado de conservação.

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A Igreja de Nossa Senhora das Merces e Misericórdia fica em um lugar legal, numa parte alta de Ouro Preto, mas como a igreja tá com um aspecto de meio abandonada e a região é meio deserta, sei lá, não achei muito seguro ficar sentada por ali esperando o por do sol.

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Para ir de Belo Horizonte até Ouro Preto é muito simples. Existe um ônibus da empresa Pássaro Verde com várias saídas de hora em hora para Ouro Preto. O ônibus parte da rodoviária de BH, o trajeto dura um pouco menos de 2 horas. As estradas são ótimas. Os ônibus são em ótimo estado, são super novos. Existe apenas uma parada rápida pelo caminho e o trajeto é direto.

Já pra quem estiver vindo de Mariana, a empresa Viação Transcotta faz o trajeto em aproximadamente 30 a 40 minutos.

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Ahhh, e antes de finalizar esse post que já está enorme… Não deixe de reparar que na fachada de algumas casas existem placas informativas sobre o próprio prédio ou sobre alguém importante que morou ali ou ainda, se teve algum acontecimento histórico nesse local. Achei super legal!

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Importantíssimo: nenhuma atração abre as segundas-feira, exceto o Museu do Oratório que fica ao lado da Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Bruna Bartolamei
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Bruna Bartolamei

Catarinense, mas já morou em Curitiba (8 anos) e em Edimburgo, a capital da Escócia (quase 2 anos). Criou o blog pra contar um pouco mais sobre como foi o seu intercâmbio na terra dos Kilts e das Gaitas de Fole, e também, sobre suas viagens pelo mundo.
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Postado em Brasil, Minas Gerais, Ouro Preto
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  1. Artur Ramalho 10/11/2015 | 16:44

    Todo brasileiro deveria realizar a viagem pelas cidades históricas de Minas Gerais, Tiradentes, Ouro Preto, Mariana, São João del Rey e afins. Ouro Preto para mim é um dos lugares mais incríveis do Brasil, a estrutura da cidade para o turismo, o seu cuidado em preservar a história, os diversos passeios disponíveis, como o de entrar dentro de um mina de ouro, além dos belos museus que são incríveis.

    • Contando as Horas 12/11/2015 | 15:18

      Oi, Artur

      Verdade!! Eu adorei conhecer essa região de Minas Gerais. Lugar bem tranquilo, cheio de história, comida excelente, povo simpático, agora… aquelas ladeiras de Ouro Preto são pra matar, né?!?!

      Obrigada pela visita aqui no blog! =D

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