29.07
2016

Vale dos Vinhedos: Garibaldi, a terra dos Espumantes

A cidade de Garibaldi fica apenas 8 km de distância de Bento Gonçalves. Apesar de ser uma cidade pequena, com um pouco mais de 30 mil habitantes, turisticamente falando, a cidade entrou de vez na rota do turismo aqui no sul do Brasil, por ser a maior produtora nacional de espumantes.

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Ano passado, quando visitamos algumas vinícolas no Vale do Champanhe na França, aprendemos muito sobre a história dessa bebida, seu método de produção e claro, aproveitamos pra degustar diversas marcas de champanhe.

E claro que quando eu resolvi alterar o roteiro da minha viagem a Serra Gaúcha, eu fiz questão de incluir uma visita a Garibaldi, pra conhecer um pouco mais sobre os espumantes nacionais. 

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Pq na França a bebida se chama Champanhe e aqui no Brasil usamos espumantes? Com toda certeza essa é a primeira pergunta que a gente se faz. Mas a resposta é simples: Espumante é o termo usado por outros países que produzem essa bebida, que estão fora do Vale do Champagne, na França.

Além disso, todas as Maisons de Champagne que visitamos na França usam o método Champenoise pra produzir a bebida. Já aqui no Brasil, os métodos mais usados são o Charmat e o Asti. Qual a diferença entre esses métodos? Sobre o método Champenoise eu já falei nesse post aqui -> Vale do Champagne: Informações práticas sobre a região e a história do Champagne. Se no método Champenoise a segunda fermentação acontece dentro da garrafa, no método charmat o processo é praticamente o mesmo, mas a segunda fermentação acontece fora da garrafa, quando a bebida ainda está dentro de um grande tanque de inox chamado de autoclave. No caso do charmat, o espumante não passa pelo processo de remuage, apenas é filtrado quando retirado da autoclave. Já o método Asti é usado para produzir espumantes doces, tipo moscatel (adoro!!!). Esse método também tem apenas uma única fermentação que acontece nas autoclaves e é interrompida quando se atinge um nível de 10% de álcool, deixando a bebida pouco alcóolica (obviamente) e bem mais docinha.

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Aqui no Brasil costumam ser usadas as uvas Chardonnay e Riesling Itálico (uvas branca) e Pinot Noir (uva tinta) para produzir os espumantes. Já na França, são usados principalmente Pinot Noir e Pinot Meunier (uvas tintas) e apenas uva branca Chardonnay para produzir os champanhes.

Vale dizer também que, as borbulhas são um bom indicador de qualidade, quanto menores e mais persistentes, melhor é a bebida.

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Depois dessa rápida explicação, é legal saber que também existe uma Rota dos Espumantes em Garibaldi. A rota é formada por aproximadamente 20 vinícolas e o mais legal de tudo é que, a maioria delas estão abertas para visitação.

Como seria impossível (e repetitivo) conhecer todas, eu escolhi conhecer apenas 2 vinícolas: a Peterlongo e a Chandon e entre essas duas visitas, aproveitei pra conhecer um pouco do centro da cidade.

Peterlongo

A história do champanhe (sim, champanhe) no Brasil começou a com a vinícola Peterlongo, no inicio do século passado. A Peterlongo passou alguns bons anos produzindo o único champanhe produzido no Brasil.

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Ai veio a regulamentação do AOC na França em 1927 e toda a disputa entre a Peterlongo e a Região do Champanhe, até que uma determinação judicial do STF autorizou a Peterlongo a usar o termo champanhe em seus produtos.

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A vinícola Peterlongo, localizada em uma construção que parece um castelo, está aberta a visitação. A visita começa com um videozinho com duração de uns 5 a 10 minutos mais ou menos, onde é contado um pouco da história da vinícola. Depois seguimos para o setor de recebimento das uvas e setor de produção onde podemos ver os tanques de inox onde são produzidos os vinhos e espumantes da casa.

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Na seqüência vamos conhecer as caves, os vinhos, conhaques e espumantes prontos para consumo estão armazenados.

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Também conhecemos o pequeno museu, com fotos da família Peterlongo, objetos e maquinários usados na elaboração dos primeiros champanhes produzidos no Brasil.

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E por fim, ainda visitamos as caves, consideradas as primeiras caves subterrâneas construídas no Brasil, onde são produzidos em menor escala os champanhes feitos pelo método de champenoise. Dá até pra ver algumas garrafas que estão no processo de remuage.

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E por fim, a visita termina numa espécie de bar da vinícola, onde é feita a degustação de vinhos, espumantes e suco de uva.

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A visita dura aproximadamente 1 hora. A nossa guia foi uma uruguaia que mora aqui no Brasil a alguns anos, suuuper gente boa (e falava um português perfeito), que tornou a nossa visita muito mais interessante.

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É possivel fazer a visita + degustação ou apenas a degustação. Eu optei por fazer a visita e degustação e custou 10,00 reais, valor que é abatido nas compras feitas na lojinha.

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Localização: Rua Manoel Peterlongo Filho, 216. Centro. Garibaldi-RS.

Centro de Garibaldi

Obviamente que a principal atração de Garibaldi são suas vinícolas, mas já que eu estava ali no centro da cidade, pq não aproveitar e dar uma voltinha?

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Além de passar por diversas construções históricas, eu conheci a Igreja Matriz São Pedro, considerada a principal igreja da cidade. Dizem que a sua construção foi inspirada nas igrejas Francesas e aproveite pra observar os vitrais e o altar.

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Também passei pelo Museu e Arquivo Histórico Municipal, também conhecido por Museu Municipal de Garibaldi. No acervo do museu estão alguns objetos da época da chegada dos primeiros imigrantes italianos e claro, obras de arte sobre a Revolução Farroupilha.

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Também passei por algumas ruas de comércio, com diversas lojas, restaurantes, cafés, livrarias.

Mesmo sendo um final de semana, época de vindima, achei super tranquilo passear pela cidade.

Chandon

Meu dia em Garibaldi terminou com uma visita a vinícola Chandon, que pertence a Moet & Chandon, empresa francesa produtora de champanhe no Vale do Champanhe, instalada no Brasil em 1973.

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Por eu não ter conseguido visitar a vinícola em Épernay, na França pq estava fechada para reformas, eu resolvi incluir a versão brasileira dessa empresa no meu roteiro a Garibaldi. Além do Brasil, a Chandon também tem vinícolas na Austrália, Estados Unidos e Argentina.

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A vinícola fica na estrada que liga Bento Gonçalves a Garibaldi, super fácil de achar. A fábrica e o centro de visitação ficam em um edifício rodeado por vinhedos.

A visita começa com uma breve explicação sobre a empresa e seus produtos.

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Dali seguimos para a área de produção, onde estão os tanques de inox. Nessa hora a guia dá todas as explicações sobre os métodos de produção (champenoise, charmat e asti). Explica também que todos os espumantes produzidos aqui no Brasil tem formula e método de produção diferentes dos produzidos na França.

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Pelo que entendi, um dos grandes diferenciais dos espumantes da Chandon produzidos aqui no Brasil é mistura (ou assemblage) de diversos vinhos bases produzidos principalmente com as uvas Chardonay, Pinot Noir e Riesling Itálico de safras diferentes, até chegar ao vinho base ideal.

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E ainda, nos deixa provar um pouco da bebida (retirada dos tanques de inox) durante o processo de produção pelo método charmat, sem estar finalizada ainda (licor que vai deixar o espumante sec, demi-sec, bruit ou passion).

Também visitamos o setor onde os espumantes são transferidos para as garrafas e rotulados.

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E por fim, de volta ao lugar onde o tour começou, é feita a degustação. A gente faz a degustação dos seis tipos de espumantes. Entre todos os tipos, eu gostei mais da Rosé Demi-Sec. Gostei tanto, que trouxe uma garrafa pra casa.

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A visita é relativamente rápida, acho que dura mais ou menos uns 40 a 50 minutos. A visita e degustação são gratuitas. É necessário agendar com antecedência. Não existem muitos horários de tours e a capacidade é limitada, umas 10 ou 12 pessoas no máximo.

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Localização: RSC-470, km 224. Literalmente na estrada, no meio do caminho que liga Bento Gonçalves a Garibaldi. Garibaldi-RS.

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Outras infos

Para saber mais detalhes sobre a Rota dos Espumantes e suas vinícolas, é só clicar aqui.

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Catarinense, mas já morou em Curitiba (8 anos) e em Edimburgo, a capital da Escócia (quase 2 anos). Criou o blog pra contar um pouco mais sobre como foi o seu intercâmbio na terra dos Kilts e das Gaitas de Fole, e também, sobre suas viagens pelo mundo.
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Postado em Brasil, Garibaldi, Rio Grande do Sul
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